terça-feira, 10 de agosto de 2010

Radicais Livres como sinalizadores celulares

Normalmente, o conhecimento acerca dos radicais livres restringe-os como sendo a causa de diversas doenças. Todavia, pesquisas têm investigado os efeitos dos radicais livres como espécies químicas de extrema importância para os eventos ocorridos no interior da célula.
Em alguns estudos foram verificadas as atividades dos radicais livres como sinalizadores moleculares. Dependendo do tipo de efeito que essas espécies químicas causam na célula, elas podem ser classificadas em 5 categorias principais:

1. Citocinas, fatores de crescimento e ação hormonal e secreção

2. Transporte iônico

3. Transcrição

4. Neuromodulação

5. Apoptose

A maioria dos estudos que caracterizam essa diferente capacidade dos radicais livres não cita qual a fonte destes ou qual seu alvo de ação, pois ainda apresentam-se como meras constatações da importância desses espécimes nos processos celulares. Grande parte desses estudos utiliza seqüestradores químicos ou enzimáticos de radicais livres, adição de espécies reativas de oxigênio- EROs- ou espécies reativas de nitrogênio-ERNs exógenas, ou previne a produção endógena dessas espécies usando inibidores específicos. Em alguns casos, verifica-se a ação direta dos radicais livres na resposta celular, enquanto que em outros essas espécies modificam o ambiente celular pela alteração que causam na expressão gênica.

Um exemplo de como as EROs são importantes está associado ao estímulo que essas espécies químicas exercem sobre a ação dos fatores de crescimento em células musculares lisas dos vasos sanguíneos.

Em estudos que buscaram comprovar a relação acima, verificou-se o aumento dos níveis celulares de peróxido de hidrogênio logo que foi administrado o fator de crescimento derivado de plaquetas (PDGF em inglês). Aumentando-se o nível intracelular de antioxidantes,como a glutationa, e de enzimas seqüestradoras de radicais livres, como a catalase, evitou-se o aumento de espécies reativas de oxigênio (EROS). Esses seqüestradores de radicais livres acarretaram o bloqueio: da síntese de DNA, da fosforilação da tirosina de certas proteínas induzida pela PDGF (fator de crescimento derivado de plaquetas), da quimiotaxia e da estimulação da proteína quinase ativada por mitógenos. Assim, a PDGF ligou-se a seu receptor nas células musculares lisas e promoveu a geração intracelular de EROs. O mecanismo molecular pelo qual as EROS estabelecem uma relação entre a ativação de receptores da quinase de tirosina e os sinais subseqüentes permanecem desconhecidos. Uma hipótese para a descrição desse mecanismo corresponde ao funcionamento das EROs como inativadoras da ação de fosfatase sobre a tirosina da proteína, o que levaria a um aumento da fosforilação da tirosina da proteína. Outra hipótese consiste na ativação direta de sinais críticos, como p21 ras, pelas EROS e ERN e a conseqüente ativação de eventos subseqüentes (como modificação dos processos transcricionais). De fato, muitos fatores de transcrição são modificados diretamente pelas EROS e ERNS e consequentemente sua atividade de transcrição encontra-se alterada.

Fonte bibliográfica: http://www.fasebj.org/cgi/reprint/11/2/118

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